29 de janeiro de 2011

A fé e a coragem de um ser humano que tem esperança de vida melhor



Sem onde morar ele pede ajuda para conseguir nova casa
Depois de dar a maior demonstração de fé, desprendimento e amor ao próximo, o pedreiro Leandro da Silva Machado, 38 anos, (foto de Leonardo Vellozo) agora passa por uma situação difícil. Sem sua família toda, morta na enchente e a casa onde morava, na Estrada Rio grande, Córrego Fundo em Campo do Coelho, ele quer descansar, dormir e não tem lugar para ficar.
Na tragédia que abalou a cidade Leandro perdeu Michele (esposa), Daniel (filho), Arlindo (cunhado),Diva (avó de sua esposa), Edgar, Ana e Wanderley (tios) e os primos Lidiane e Rodrigo.
Ele quer deitar e descansar, mas não tem como, “ já consegui uma outra casa, ganhei os móveis de uma Ong carioca, só falta o fogão, mas a dona da casa está cobrando R$ 200 como adiantamento pelo aluguel e eu não tenho esse dinheiro hoje, por isso, estou pedindo ajuda”, destaca.
O pedreiro que também trabalha como pintor, antes da tragédia ele fazia trabalhos alternativos na Escola Tempo do Saber em Duas Pedra, mas ele já consegui outro emprego na União Mundial em Conselheiro Paulino, mas ainda está dependendo de documentos, pois durante a enchente perdeu sua documentação que estava dentro de casa, “ eu dei sorte, não estava em casa na hora do sinistro, estava trabalhando, quando cheguei, me deparei com aquela tristeza, .agora é que está caindo a ficha, é muito triste”, afirma o pedreiro.
Ele fala que a primeira parte de sua missão terminou quinta-feira com a saída dos helicópteros, “ mas eu quero continuar por terra, porque acredito que a cidade vai ter mais de 4 mil mortos, porque muita gente ficou soterrada e ainda não foi encontrada, pelo que conheço e nos lugares que eu fui, o estrago é bem maior do que estamos vendo”, afirma Leandro.
Do primeiro casamento com Eclesiane, nasceu Marcus Vinícius que está com 14 anos, estuda na escola Odette Penna Muniz e joga na escolinha de futebol do Projeto Gol de Placa, “ é com ele que eu conto agora, minha família é ele”, acentua
Nesse período todo ele fez 48 vôos, montou 30 pontos de abastecimento, resgatou mais de 100 corpos,. “ fiz por amor ao próximo, não quero receber glórias por isso, o ser humano é muito importante, criei uma força interior que não tinha, e reafirmo, quero agora continuar por terra e ver como estão as pessoas que eu ajudei e que ficaram vivas”, finaliza o pintor
Ele agradece muito a deus pela oportunidade de poder salvar vidas e resgatar corpos que estavam desaparecidos, mas agradece também ao Coronel Neiva do (GOA) e aos integrantes do grupo de alpinistas Granito de São Gonçalo Rui e Bandeira.

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