Em 12 de janeiro de 2000, A VOZ DA SERRA publicou matéria assinada pelos jornalistas Ketty Bertoncini e Nelson Alvarez cujo título era: “ Subindo pelas Encostas”. A matéria foi publicada na página 10 e na parte inferior da página também uma matéria dos dois jornalistas intitulada “ Cheia nos rios afeta lavouras da região”.
Naquele momento os dois jornalistas alertavam sobre a localização de Nova Friburgo que está situada num centro geográfico entre dois pólos problemáticos, principalmente porque as construções estão num pólo problemático tendo de um lado as cidades de Niterói e Rio de Janeiro além da Baixada Fluminense, do outro o interior do Estado.
A mesma matéria mostrou que a falta de recursos financeiros e a falta de conhecimento técnico de construção civil para executar um projeto de moradia segura, gera estes loteamentos irregulares que prejudica as encostas da cidade, produzindo o que se viu no início do ano, a maior tragédia climática brasileira com grandes proporções catastróficas.
A necessidade premente de ter onde morar, faz surgir casos inusitados, o principal exemplo acontece em quase doto município, a pessoa adquire um terreno em encosta e se acha no direito de escavar ou construir como bem entender e da forma que sua cabeça pensa.
E não é assim, há de se ter habite-se, planta, autorização da engenharia da Prefeitura e muitos outros detalhes, que acabam passando em brancas nuvens, porque nossas autoridades se calaram, permitiram o êxodo desordenado de fora para dentro, fizeram vista grossas com inúmeras construções irregulares e hoje, Nova Friburgo se encontra com mais de 400 áreas de risco e mais de 200 encostas sob ameaça de desabamento.
Há também o problema de pessoas que economizam nas fundações, constroem casas enormes, com muitas dependências e sem dispor de recursos financeiros ampliam cômodos totalmente irregulares, provocando mais tarde as tragédias, notadamente porque de nada adiantam as campanhas educativas para reverter esse quadro se a própria pessoa envolvida nesse detalhe, não aceita as regras, atropela a legislação fazendo de sua moradia um bomba de dinamite que acaba explodindo sobre sua cabeça, como aconteceu em 2007 e este ano em maiores proporções.
Nesta matéria do ano de 2000 o diretor do GEO Rio na época para a jornalista Ketty Bertoncini, “ nem bem protegemos uma encosta e outra logo está em processo de ocupação. Não conseguimos acompanhar o crescimento da pobreza. Dessa forma conclui-se que somente com um maciço programa de construção de casas populares, desenvolvido em todo país, acompanhado de intensa campanha de planejamento familiar, pode-se chegar a uma solução”, afirmou o diretor.
Mas não é só isso. Asa construções irregulares também além de provocar queda de encostas quando vem ás águas prejudicam as lavouras que são atingidas pelo volume de água que não tem passagem livre e saem arrebentando tudo que encontram pela frente. Nesta edição de 12 de janeiro de 2000 Ketty já alertava sobre esse problema também, quando ela dizia “ o consumidor deve sentir no bolso, dentro em breve, os reflexos das últimas chuvas, porque verduras e legumes escasseiam no mercado e têm uma alta de quase 100% no preço final”, acrescentou.
Se em 2000 bairros como Campo do Coelho, Nova Suíça, Conquista, Riograndina, Córrego Dantas, São Lourenço, entre noutros estavam na lista de áreas de risco, hoje, muito mais e, praticamente toda a cidade está condenada, num crescimento desordenado, de grandes proporções e sem perspectiva de solução, pelo menos nos próximo meses, porque as chuvas de janeiro destruíram localidades, lugarejos, bairros inteiros mudando totalmente o mapa geográfico de Nova Friburgo.
Se naquela ocasião a foto principal da matéria e da capa do jornal foi o bairro do Cordoeira e Riograndina, hoje são incontáveis os locais que podem ser fotografados para mostrar a ação das intempéries do tempo e que se não foram solucionadas urgentes poderão novamente causar noivos problemas inclusive com vidas humanas.
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NOSSA OPINIÃO
Quando a matéria citada foi publicada os dois profissonais a imprensa foram criticados e chamados de loucos. Ninguém acreditou. Muita gente disse que era sensacionalismo barato para vender jornal e falta de assunto.
Onze anos depois a situação continua a mesma, pior do que no ano 2000, porque aquilo que era risco em um só local, hoje são 248 áreas cadastradas.
A tragédia de 12 de janeiro serviu para nos mostrar a verdade. Deus enviou o sinal e ninguém está acreditando. Fomos esccolhidos para ficar, ficar e reconstruir a cidade, mas acima de tudo, reconstruir nosso modo de vida, repensar as atitudes, estudar se estamos certos ou não, refletir sobre nossos erros.
Hoje nove meses depois da tragédia ainda tem gente duvidando: festas, coqueteis, reuniões, programas de televisão, entrevistas, espaço no rádio, páginas de jornais e, acima de tudo muita mentira, porque nada se fez e as chuvas de fim de ano já começaram.
Se novamente acontecer o pior, quem será o culpado? Deus?
Morro da cruz apesar dos desmentidos, o maior perigo e no centro da cidade.Morro do teleférico, outro problema seríssimo, e que ninguém toma providência urgente e enérgica


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