17 de outubro de 2011

Mendicância: um problema difícil de resolver



Se antes do 12 de janeiro a cidade de Nova Friburgo já convivia com  situação financeira difícil, agora após a tragédia o clima é um pouco pior, porque um problema que já vinha preocupando as autoridades, tem aumentado sensivelmente que é justamente a indústria da mendicância. É verdade que não é privilégio exclusivo de Nova Friburgo, porque o Brasil é um país em que a distribuição de renda  não é justa, mas para uma cidade com pouco mais de 180 mil habitantes e que tem vocação turística, a mendicância é assunto que deveria fazer parte da pauta dos dirigentes constantemente.

Nada temos contra a pobreza, ou ser pobre, pois entendemos que nem todo mundo tem possibilidade de ser rico mas temos que alertar que a cada dia é maior o número de pedintes nas ruas praças, bares, restaurantes e outras casas comerciais, especialmente do centro da cidade.

Se antes eles apenas ocupavam os coretos das principais praças da cidade, agora eles estão espalhados em locais estratégicos, e alguns, são ousados abordando as pessoas de forma até agressiva.

A porta da Catedral São João Batista, as praças Dermeval Barbosa Moreira e Getulio Vargas já são pontos de referência deles, mas agora surgem novas opções como: Largo do Encontro em frente a Paróquia São Francisco na Avenida Conte Bittencourt, Galeria São José, rua Portugal,  atrás do Extra Hipper na rua José Eugênio Muller. O problema é que alguns não se contentam em receber um não e xingam as pessoas ou até ameaçam fisicamente, contribuindo para aumentar o medo.

O perigo é maior debaixo do Viaduto Geremias de Mattos Fontes, local inclusive, que já foi tema de várias reportagens na imprensa da cidade. Ali o perigo mora ao lado, porque a mendicância se aproveita da bondade das pessoas e age deliberadamente.

Esta não é a primeira vez que A VOZ DA SERRA aborda este assunto, mas passa o tempo e eles continuam atuando sem uma ação efetiva de quem deveria resolver o problema. É preciso acelerar o estudo da construção do tão sonhado albergue que abrigaria muitos mendigos que não tem par aonde ir. Enquanto não tem o albergue poderia ser criado um trabalho social que pelo menos atende-los nas suas necessidades de higiene, pois alguns deles exalam mau cheiro, por não ter possibilidade nem de tomar banho.

 










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O que pensa o Secretário de Assistência Social

Ao assumir a pasta da Assistência Social em dezembro de 2010, imediatamente entrei em contato com uma entidade que trabalha com dependência química no sentido de viabilizar um convênio objetivando trabalhar com pessoas/indivíduos em situação de rua. O grande desafio inicial era poder, através do  Centro de Referência de Assistência Social (CREAS), estrutura-lo uma vez que em sua implantação em nosso município, tudo começou errado. Falo em espaço físico adequado, equipe técnica especializada, condução, aparelhamento, rede social, tudo isso em consonância com a política pública de assistência social. Me deparo já de início com o maior desastre climático de nosso país, uma turbulência de eventos dentro de uma Secretaria desestruturada obrigando-se a trabalhar com eficácia não somente voltado as questões do desastre 2011 mas não esquecendo todas as normativas do Governo Federal ( MDS) e do Governo Estadual em Pactos de Gestão, Co-financiamentos, CadÚnico e tantas outras atribuíções da pasta.

Posso afirmar que já temos atualmente um Centro de Referência Especializado em Assistência Social que atua com população sem situação de rua, serviço proteção especial, já fomentamos na Secretaria de Assistência Desenvolvimento Social e Trabalho reuniões com as áreas da saúde, Defesa Cívil, Guarda Municipal, Corpo de Bombeiros, Polícia Militar. Conseguimos de uma entidade  duas vagas para atendimento imediato. Estamos estudando um plano de trabalho e de ação no sentindo de ter em nosso município um convênio com entidade que trabalha com reabilitação de dependentes e tanto que esta previsto para a próxima semana um encontro com dirigentes da mesma. O CREAS já com equipe técnica vem articulando junto ao CENTRARIO, a Fundação de Saúde os encaminhamentos. Já possuímos um levantamento social desta população, temos um processo de recambiamento para as cidades de origem desta população onde articulamos com os técnicos juntos aos CREAS este mecanismo buscando a identificação de suas famílias.    A verdade que é um processo díficil, não é uma situação exclusiva do município, temos o que parece ser um grande número, mas na verdade um número pequeno comparados a outros municípios. Sabemos que muitos que ali estão após abordados optam em viver nesta situação - é fato.

Outra situação, a questão de um albergue noturno, penso que deva ser bem discutido, pois somos um pólo regional serrano, poderia aumentar o número uma vez que nossos vizinhos não possuem este serviço e quanto a origem não percebo um aumento de demanda, percebo sim, que os que aqui estão não aceitam voltar, os que são identificados ser de outro município, a sua terra de origem e quando fazemos o recambiamento, muitos retornam a Nova Friburgo. Por outro lado, temos o compromisso de tentar a ressocialização destes indivíduos e nesse sentido o meu compromisso. Estamos buscando uma campanha e acredito que a imprensa possa contribuir com esta idéia no sentido de fomentar junto a população a idéia de não dar esmola e sim informar a Secretaria. (Carlos Antonio Maduro - Secretario Municipal de Assistência Desenvolvimento Social e Trabalho)
Cel (22) 98625467    (22) 92380857
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Para o Laje a solução é a construção de albergues

A mendicância sempre nos causa estranheza. É difícil como cidadão entender como pessoas possam viver sem teto, pedindo esmola, com problemas graves de saúde. Entretanto, viver na rua e “da rua”, por mais estranho que nos pareça, pode ser questão de escolha. Ao darmos esmolas alimentamos este círculo vicioso com certeza muitos foram abordados pelas autoridades competentes, mas não aceitaram abrigamento, ou recambiamento para a cidade de origem.

  A construção de albergues é solução urgente, urgentíssima. Mas construir albergues não é construir “depósito de mendigos”. Exige uma estrutura adequada à legislação, e muita seriedade. Pelo levantamento feito aqui no Lar Abrigo Amor a Jesus (LAJE) cerca de 90% dos moradores de rua que desejam abrigamento são de Nova Friburgo e cidades vizinhas. Nossa Instituição se preocupa em abrigar os idosos em maior vulnerabilidade social. A população idosa de rua tem nos causado grande preocupação. Entretanto é preciso que o idoso aceite o abrigamento. Não somos um sistema prisional. É muito difícil para a pessoa que viveu na rua durante muito tempo se submeter às regras da Institucionalização, por mais carinho, cuidados e respeito que lhe sejam dedicados. (Clélia Rangel – Presidente do Lar Abrigo Amor a Jesus)

FOTO DIVULGAÇÃO
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LBV: O empobrecimento da população aumenta a mendicância
A sociedade costuma renegar a população pauperizada que vem a cada dia aumentando, notadamente em cidades de pequeno e médio porte como Nova Friburgo (que possui uma particularidade: o empobrecimento de sua população pós-catástrofe). O Estado e a sociedade civil necessitam enxergar a população de rua como um resultado de tantos anos de descaso e, dessa forma, tratá-los como detentora de direitos respondendo com seriedade a esta demanda por meio de: albergues noturnos (estruturado com banheiros para que haja higiene pessoal); ações para localizar a família e custear sua volta ao município de origem (se assim for do seu interesse, já que muitos não são de Nova Friburgo); auxilio médico e psicológico (são comuns problemas de saúde como alcoolismo, erisipela, infecções etc); emissão de documentos etc.

Que essas ações do Estado representem uma oportunidade real de sentirem-se integrados à sociedade e não como excluídos. Cabe ressaltar que existem muitas pessoas de rua que não são pedintes, possuem vínculo familiar, mas por algum motivo permanecem nessa situação - de certa forma, este desejo deve ser respeitado

O Centro Comunitário de Assistência Social da LBV em Nova Friburgo não trabalha diretamente com a população de rua (apesar de a instituição ter um legado histórico de auxilio aos mais carentes com a emblemática “sopa do Zarur”).
Nossa atuação se enquadra na Proteção Social Básica (na prevenção de situação de risco através do desenvolvimento das potencialidades e o fortalecimento de vínculos), diferentemente da Proteção Social Especial (no qual a população de rua pode se beneficiar) que possui um caráter protetivo quando os direitos humanos já se encontram violados.  Atualmente, a LBV de Nova Friburgo trabalha com crianças de 06 a 12 anos no seu contra-turno escolar e no Espaço de Convivência desenvolve atividades com idosos e adultos. (Fernanda Pessôa de Andrade Cavadas (CRESS-RJ <>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>>
Valorizar a família é a sugestão da LBV


Por que tantos mendigos na cidade? Por faltar uma política pública voltada para esse segmento. De onde eles vêm? Uma parte desses mendigos são frutos do alto índice de desemprego e famílias desestruturadas. A outra de diversas cidades de nosso país que migram para cá na esperança de oportunidades melhores.

A Fundação Leão XIII há alguns anos atrás recolhia essas pessoas para albergues na cidade do Rio de janeiro, onde as mesmas eram reabilitadas e inseridas no mercado de trabalho.   Atualmente a instituição não executa mais esses serviços, uma vez que, a Prefeitura do Rio de Janeiro assumiu essa função. 

Já em nossa cidade a Fundação Leão XIII trabalha com isenções de documentos como: identidade, certidões de casamento, nascimento e óbito;

Temos o Projeto Novo Olhar (fornecendo Óculos e Cirurgia de Catarata gratuita) e o RIOCARD para pessoas com deficiências físicas, auditivas, visuais, mentais e doenças crônicas.    Essa clientela é atendida na nossa sede situada a rua Augusto Cardoso nº 62 e muitas vezes encaminhada através da Secretaria de Promoção Social do município, Conselho tutelar, ONGs, Igrejas e outros.  

No momento não temos estrutura para recolhimento dessas pessoas, pois faltam profissionais habilitados, viaturas, espaço físico para abrigar essas pessoas que merecem o nosso respeito já que, é um problema de toda a nossa sociedade.

Deveria haver uma parceria dos governos estadual, municipal, empresas privadas, igrejas e outros, para se construir um Centro de Recuperação gratuito onde essas pessoas terão acompanhamento médico, odontológico, cursos de geração de renda, entre outros; para que elas possam ser inseridas ao mercado de trabalho. 

Na minha experiência nessa área, cheguei a conclusão que todo trabalho feito em centro de recuperação só tive êxito quando o mesmo além de trabalhar com todos os profissionais adequados a área também fizeram paralelamente um trabalho de discipulado com orientação com princípios bíblicos. Porque quando o caráter e a identidade de Cristo alcança uma pessoa há transformação.  A cidade deve se preparar trazendo empresas para nossa cidade para gerar empregos, envolvendo a sociedade como um todo, valorizando a família. Famílias fortes, cidade forte. (Marcio Tostes – Coordenador da Fundação Leão XIII).


Crédito das fotos: Leonardo Vellozo, Lucio Cesar e Carlos Mafort 

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