O brasileiro tricampeão
superou Juan Manuel Fangio, segundo colocado da lista, e Jim Clark, terceiro.
Michael Schumacher ficou em quarto, e Alain Prost em quinto. Coube ao redator-chefe
de Fórmula 1 da BBC, Andrew Benson, traçar um perfil de Ayrton Senna e
justificar a sua escolha como o maior de todos os tempos, sem esquecer de citar
os mistérios da personalidade do piloto e a sua intrigante coragem de buscar
sempre o limite.
“A grandeza do homem e sua pilotagem brilhante são fáceis de serem lembradas, mas a ocasional obscuridade de seu psicológico, talvez não”, escreve Benson, que descreveu Senna como um “semideus” no Brasil, além de um piloto admirado em todo o mundo pelo seu carisma e romantismo.
“Senna era uma força da
natureza, uma poderosa combinação de espetacular talento bruto com uma
determinação assustadora. Mas, com toda essa determinação, e com seu próprio
conhecimento de o quanto talentoso ele era, veio um senso de justiça menos
atraente que o levava a colocar sua própria vida – e a dos seus oponentes – sob
risco”, criticou o texto da BBC.
Rvalidade com Alain Prost
também ganha destaque, bem como a batida proposital no Japão que deu o título
de 1990 ao brasileiro, um ano depois de ter sido prejudicado por uma decisão do
presidente da FIA, Jean-Marie Ballestre, que favoreceu o francês.
“Ele tinha a boa aparência
de um herói romântico, um carisma que poderia aquietar qualquer recinto, a
eloquência de um poeta e a espiritualidade com a qual milhões puderam se
identificar. Seus olhos escuros eram janelas de uma alma complexa e volátil”,
resumiu o artigo.
Para ilustrar a
personalidade obscura de Senna, o perfil lembra uma frase de Prost criticando o
piloto brasileiro por seu estilo agressivo de pilotagem: “Ayrton tem um pequeno
problema. Ele acha que não pode morrer, porque acredita em Deus, o que é muito
perigoso”.
Por sua vez, Senna deixou
frases filosóficas, e uma delas é citada pelo texto: “Ao mesmo tempo em que você
é visto como o melhor, o mais rápido e alguém que não pode ser alcançado, você
é enormemente frágil. Porque, em uma fração de segundo, está acabado”.
Por fim, Andrew Benson
encerra explicando por que Senna elevou o esporte a um novo patamar: “Ele pregou
a moralidade, mas estava preparado para abandoná-la pela sua ambição e seu
próprio senso de justiça. Ele falou eloquentemente sobre sua própria
mortalidade, mas testou seus limites quase sempre no carro. Tudo isso, aliado
ao seu humanismo, caráter e inteligência, deu a ele e ao esporte o apelo de
milhões”.

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