Reinaldo José Lopes (A Folha/SP)
Os
mergulhos, de meia hora, repetiram-se várias vezes ao longo de dias, conforme a
fêmea de jubarte (Megaptera novaeangliae) deixava as águas mais quentes do
Brasil em busca de sua área de alimentação, na Antártida.
Ninguém
sabe o que significam esses "pit stops" nas profundezas. Mas, se
forem comuns, podem desfazer alguns dogmas sobre o comportamento dessa baleia,
famosa por dar enormes braçadas.
A questão é que as jubartes, bem como outras baleias
migratórias, seriam as rainhas do regime radical.
Acreditava-se que esses
bichos passariam quase todo o período de reprodução de boca fechada,
sobrevivendo com a ajuda de reservas de gordura adquiridas nos bufês de krill
(pequeno crustáceo) do mar antártico.
Na
volta, os cetáceos afinariam num ritmo alucinado, fenômeno piorado, no caso das
fêmeas, pelo gasto de energia ligado à amamentação. E o ciclo recomeçaria.
Se a
coisa funcionasse mesmo assim, "o que se esperaria é que os bichos fossem
direto para a área de alimentação o mais rápido possível, para minimizar o
gasto energético de migrar, nadando rápido e no raso", explica o
oceanógrafo Alexandre Zerbini, que trabalha no Laboratório Nacional de
Mamíferos Marinhos dos EUA e no Instituto Aqualie no Brasil.
Zerbini
é um dos especialistas responsáveis por analisar os dados que indicam um
cenário mais complicado. "Provavelmente, se essa mãe faz isso [os
mergulhos profundos], outros animais devem fazer, mas só colocando mais
transmissores para a gente ter certeza", disse
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