24 de outubro de 2013

Tem uma moedinha aí?


Leonardo Lima

A quantidade de pedintes em Nova Friburgo é relativamente alta, principalmente se for levado em conta o número de habitantes do município. Não bastasse os cidadãos sentados nas calçadas – vide a Catedral São João Batista, ou presentes em ônibus e nos sinais de trânsito, os chamados “flanelinhas” espalhados pela cidade são figurinhas facilmente encontradas.

Eles estão presentes, principalmente, no Centro, como na Praça do Suspiro e em frente ao supermercado Cavalo Preto; e nas principais vias de bairros e distritos populosos como Olaria e Conselheiro Paulino. Especialmente nos locais citados no Centro, por haver um ostensivo trabalho de patrulhamento da Polícia Militar, são raros os casos de ameaças, agressões e ações que danificam os veículos caso os flanelinhas não recebam a gorjeta esperada. No entanto, a ação livre destas pessoas incomoda muitos motoristas.

Segundo o publicitário Sandro Darrieux, embora nunca tenha sido abordado de forma rude, ele acha inconveniente toda vez que estaciona seu carro ser interpelado por pessoas pedindo um dinheiro. “É aquela história. Eu estaciono meu carro e o camarada logo fala: ‘aí patrão, vou dar uma olhada para o senhor, ok?’. Quando volto, me sinto meio que obrigado a dar um trocado para ele, mesmo que, de fato, não tenha colaborado em nada. O carro continua intacto lá, com ou sem flanelinha”, opina.

No Brasil, a profissão é aceita legalmente em cidades como Belo Horizonte e Brasília, onde o trabalho somente é remunerado mediante consentimento do motorista. De acordo com a legislação nacional, atuar como flanelinha pode constituir em uma contravenção - exercício ilegal de profissão - ou mesmo um crime, se associado à prática de extorsão, formação de quadrilha ou loteamento de espaço público. O “profissional” pode receber pena de até 1 ano de prisão.

A punição por ameaça ou violência praticada por flanelinhas, entretanto, pode ser estendida para até quatro anos. Isso porque a comissão de juristas que elabora o anteprojeto do novo Código Penal aprovou o aumento da pena para atos de constrangimento ilegal. Desta forma, quando associada à violência ou grave ameaça, a prática de exigir dinheiro para guardar carros em vias públicas poderá ser punida por essa nova regra.
            Portanto, cabe ao motorista decidir se dá uma contribuição ou não ao flanelinha e, caso se sinta ameaçado, deve se dirigir a uma unidade policial para relatar o fato. Em Nova Friburgo, o pagamento para estacionar veículos é obrigatório apenas em ruas que possuam demarcação da Zona de Estacionamento Rotativo, o Zero, e não em toda a cidade. E você: acha válida a ação dos manobristas e guardadores de automóveis? 


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