A um mês de completar três anos da tragédia que matou mais de
900 pessoas na Região Serrana, um mapeamento das ameaças naturais do Estado do
Rio, elaborado pela Defesa Civil, aponta um dado alarmante: das 92 cidades da
Região Metropolitana e do interior, 88 enfrentam riscos de deslizamentos de
terra.
Apenas quatro - São João da Barra, Quissamã, Carapebus e
Conceição de Macabu - estão livres desse tipo de desastre natural. Suas
populações, porém, não estão imunes aos temporais de verão. Nessas cidades, os
riscos são de enchentes e de alagamentos, que afetam 15% dos municípios
fluminenses.
Em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, por exemplo, além
das enxurradas, o maior perigo continua sendo os desmoronamentos de encostas.
Logo após a catástrofe, o Governo do Estado prometeu construir seis mil
moradias. Desde então, foram entregues apenas 506 casas às famílias desabrigadas
pelas enchentes em Nova Friburgo. Até o fim do ano, serão mais 460
apartamentos.
A meta é entregar 4.414 unidades a desabrigados em Nova
Friburgo, Teresópolis, Petrópolis, Areal, Bom Jardim, Sumidouro e São José do
Vale do Rio Preto, pelo “Programa Minha Casa, Minha Vida.”
A Secretaria Estadual de Obras alega que faltam terrenos planos
disponíveis para a construção dos imóveis na Região Serrana, que é cercada por
morros. Sem ter onde morar, muitos voltaram para suas antigas casas ou se
recusam a abandonar o local. Em praticamente todo o estado, o estudo da Defesa
Civil identificou casas construídas em áreas com risco de desabamento
O vice-governador e coordenador de infraestrutura, Luiz Fernando
Pezão, alega que muitas famílias receberam indenização para comprar casa em
local seguro ou o aluguel social. Segundo ele, foram investidos na Serra R$ 2,6
bilhões em ações de reconstrução das cidades, instalação de sirenes, contenção
de encostas, reconstrução de pontes e dragagem de rios. Ele cobra das prefeituras
que ajudem a retirar as famílias. “Se não fizermos o dever de casa, vão bater
na nossa porta”, avisa Pezão.
Rotas - moradores de áreas de risco na região vão receber no
próximo verão kits contendo ímãs de geladeira com orientações para desocupação
imediata - como lembrar, por exemplo, de desligar o gás para evitar o risco de
explosões - e uma pasta plástica, com vedação impermeável, para guardar seus
documentos pessoais e carregá-los em uma situação de emergência.
A medida faz parte dos Planos de Ação Comunitários de Prevenção
e Enfrentamento de Acidentes e Desastres Naturais que serão apresentados na
Câmara Municipal de Petrópolis. O plano foi elaborado pelo “Mãos à Obra”,
programa de Defesa Civil comunitária da Superintendência de Educação Ambiental.
Ele traz mapas com detalhes de rotas de fuga, pontos de apoio,
levantamento de pessoas que necessitam de cuidados especiais e de moradores que
têm barcos, cordas e motosserra que possam ser usados em emergência. Sessenta
monitores foram treinados. Aprenderam noções de atendimento pré-hospitalar e
receberam capas de chuva, lanternas e apitos para orientar famílias a deixar
suas casas.
Inundações - O Estado afirma que reassentou 4.271 famílias em
regiões com risco de inundações. A previsão é retirar mais 3.700 moradias de
áreas ribeirinhas até 2015. “Não dá para evitar desastres naturais. Temos que
aprender a conviver com o risco das chuvas fortes, como o Japão reage a
terremotos”, disse o secretário de Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros,
o coronel Sérgio Simões.
O engenheiro Amaury Ribeiro, do Grupo de Risco Ambiental da
Uerj, discorda. “Não temos que repetir as mesmas tragédias todos os anos. O
governo tem que retirar as famílias e impedir novas ocupações em áreas de
risco”, critica.

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