O MPF
(Ministério Público Federal) anunciou ter celebrado nesta terça-feira (25)
acordo em uma ação civil pública com Eurípedes Humberto Higino dos Reis, filho
adotivo e herdeiro de Chico Xavier. O órgão pede que o acervo deixado pelo
médium, morto em 2002, no museu particular Casa de Chico Xavier, situado na
cidade de Uberaba (472 km de Belo Horizonte), seja catalogado.
De acordo com
nota do MPF, Reis obrigou-se "a proceder ao inventário cultural e à
organização de todo o patrimônio cultural, material e imaterial, relacionado ao
médium Francisco Cândido Xavier, bem como a definir e executar as medidas de
preservação e controle para proteção e salvaguarda de cada bem isoladamente ou
em conjunto".
Segundo o
órgão, o herdeiro de Chico Xavier deverá contratar equipes técnicas que, por
sua vez, serão capacitadas pelo Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional). Ficará a cargo do Iphan e do Iepha (Instituto Estadual do
Patrimônio Histórico e Artístico), além da Fundação Cultural de Uberaba, a
supervisão dos trabalhos, que deverão ser iniciados em 60 dias, com duração de
20 meses. Esses órgãos deverão ainda validar os produtos e resultados dos
trabalhos.
O MPF informou
que uma visita técnica feita ao local teria comprovado a necessidade de
identificação e catalogação de todos os itens pertencentes ao museu. No local
estão expostos, entre outros objetos, livros, esculturas, imagens sacras,
mobiliário e fotografias. Também estão no recinto roupas e documentos deixados
pelo médium. O MPF afirma ter detectado risco de deterioração ou até de
extravio dos bens.
Visita técnica
feita por especialistas do Ibram (Instituto Brasileiro de Museus) detectou que
os bens não possuíam nenhum tipo de instrumento de registro, controle e
segurança. "À exceção dos livros psicografados, que apresentavam
etiquetas, não havia nenhuma outra identificação dos demais itens expostos",
afirmou nota do órgão.
Conforme o
MPF, o acordo foi enviado ao juízo da 1ª Vara Federal, na qual tramita a ação,
e aguarda a homologação judicial.
O herdeiro de
Chico Xavier disse ao UOL que, apesar de ter acatado a determinação do MPF,
discordou da possibilidade de que os objetos possam sofrer danos ou serem
furtados.
"O maior
interessado na preservação [do local] sou eu. Nunca recebi nenhuma verba do
governo municipal, estadual ou federal para manter o museu. Sempre fiz com meus
próprios recursos", disse Reis. Segundo ele, o local é aberto à visitação
pública com entrada gratuita.
"Nós nunca pedimos nada para ninguém",
declarou.
Reis
afirmou que os advogados que o representam na ação serão encarregados de
contratar os profissionais

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