21 de fevereiro de 2014

Um carnaval sem empolgação

A contar desta sexta-feira, 21, ficarão faltando oito dias para a abertura oficial do Carnaval de 2014. Da parte do governo municipal, tudo está normal e o Carnaval da Família, criado por Heródoto Bento de Mello, em 2009, quando assumiu o poder, foi reeditado para ser um sucesso. No entanto, a situação não é das melhores. Os sambistas estão reclamando do atraso na distribuição da subvenção de R$ 46.309.94 para cada escola e R$ 23.133,53 para cada bloco de enredo. 

 Com isso, eles começaram a ficar irritados e, como disse esta semana um dirigente que pediu para não se identificar, com medo de sofrer retaliações, “o governo trata o Carnaval como se fosse o resto e depois vai para a mídia e diz que organizou o 2° melhor Carnaval do Estado. Só que não dá a mínima para as agremiações carnavalescas, como se nós fôssemos um bando de intrusos. Quem faz a festa somos nós”, criticou. Segundo os presidentes das agremiações, em outubro do ano passado, em uma reunião na Secretaria Municipal de Turismo (então organizadora do Carnaval), ficou definido que a verba seria dividida em duas partes, saindo a primeira parcela em dezembro e a segunda em janeiro, só que isso não aconteceu. 

O certo é que a programação foi definida, mas os sambistas que tiveram gastos para montar suas escolas ou blocos ainda não viram a cor do dinheiro e estão certos que a verba só sairá na próxima semana, às vésperas dos desfiles, quando eles já distribuíram uma grande quantidade de cheques, fizeram contas e assumiram compromissos. Tudo isso deve-se também ao fato da cidade não possuir uma Liga Independente, mas uma entidade que não tem competência para questionar o governo, pois não tem sede, o estatuto é ultrapassado, a maioria de seus diretores tem compromissos políticos e não podem se expor, e dependem rigorosamente da municipalidade por uma série de questões. Com isso, agremiações tradicionais da cidade, não desfilarão, como Alunos do Samba, a escola mais antiga da cidade; e o bloco Raio de Luar. Diga-se de passagem, também por incompetência de suas diretorias que não tiveram capacidade de se organizar jurídica e estruturalmente para não depender das migalhas oferecidas próximo ao desfile. É uma pena ver a situação da escola de Conselheiro Paulino: quadra interditada, problemas de energia elétrica, questionamentos com os bombeiros etc. 

Da mesma forma, o bloco de enredo com o maior número de títulos da cidade hoje é o retrato da desolação, desorganização e falta de respeito do grupo que assumiu a agremiação no final do ano passado. E não podemos esquecer da Acadêmicos do Prado, que não desfila há três anos pelos mesmos motivos. O que se sabe até agora é que as notas este ano ficarão entre o mínimo de 9 e a máxima de 10, fracionadas em décimos entre 9.1 e 9.9, como é feito no Rio de Janeiro. Os sambistas justificam esta alteração como objetivo aumentar a exigência da avaliação e valorizar a nota dez. Porém, a verdade é que de nada adianta notas fracionadas. É preciso muito mais. Há de se fazer urgentemente um estudo do Carnaval de Nova Friburgo, uma reciclagem na maneira de administrar dos sambistas, uma fórmula de moralizar a Liga das Escolas de Samba, que continua cada vez mais esvaziada. Outro absurdo é o intervalo de 45 minutos entre uma agremiação e outra, ou seja, se o desfile começar às 21h (e não houver atraso) terminará somente às 2h15, sacrificando o povo que chega na avenida nas primeiras horas da noite. 

O Carnaval de Friburgo precisa ser repensado urgentemente, pois deixou de ser uma forma de diversão e lazer há muito tempo. O folclore mais popular do Brasil não pode se permitir a essa hipocrisia de hotéis lotados e ser o 2° melhor Carnaval do Estado do Rio de Janeiro. Essa mentira acobertada por uma grande camada de autoridades não cabe mais na nossa cidade. E o evento que outrora chegou a atrair mais de 40 mil pessoas para a Avenida Alberto Braune, aglomerava torcedores e coloria a passarela do samba com bandeiras de todas as escolas e blocos, hoje não impressiona mais. Percebem-se inúmeros clarões nas arquibancadas e o pouquíssimo público que fica não tem mais aquela alegria de outrora.

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