(Aiuri Rebello e Vinícius Segalla)
Quando o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, discursou na
inauguração do Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, em maio do ano
passado, a grandiosidade da obra inspirou-lhe uma comparação suntuosa: “Se
Darcy Ribeiro dizia que o Brasil é uma nova Roma, só que mais democrática, pois
lavada em sangue negro e índio, essa Roma acaba de ganhar seu Coliseu”.
A comparação do estádio brasileiro com a arena romana, cujas
ruínas sobrevivem há quase 2.000 anos, talvez pareça exagerada hoje em dia, um
ano após a inauguração do Mané Garrincha, já que o equipamento apresentou
goteiras e vazamentos generalizados há cinco meses. A cobertura de mais de R$
200 milhões não apresentou a resistência ao tempo que o Coliseu já provou ter.
No último dia 1º foi inaugurada, a 50 quilômetros da cidade de
Juddah, na Arábia Saudita, a suntuosa Cidade do Esporte Rei Abdullah. Ela
engloba um estádio de futebol de mesmo nome para 60 mil torcedores, um ginásio
poliesportivo para 2 mil, um estádio de atletismo para mil, uma mesquita para
500 fiéis, um estacionamento para 45 mil veículos, quadras de tênis e campos de
futebol para treino e recreação, além de uma luxuosa suíte para receber o rei,
que empresta o nome ao estádio.
O custo total da obra, de acordo com as autoridades sauditas e
com as construtoras foi de 384 milhões de euros, ou R$ 1,18 bilhão. As obras do
Mané Garrincha e de seu entorno, que ainda não estão completas, custaram R$ 1,9
bilhão, valor 61% maior do que foi empregado no complexo saudita.
No entorno do Estádio Rei Abdullah, o ginásio poliesportivo
climatizado, com suas 2 mil cadeiras numeradas e sistema de wi-fi para todos,
as seis quadras de tênis e três campos de futebol, e ainda a mesquita
acarpetada, não podem servir de comparação com o Complexo Esportivo Ayrton
Senna, dentro do qual está o Mané Garrincha.
No folder de propaganda que o governo do Distrito Federal
confeccionou e distribuiu em hotéis e aeroportos, o complexo, que possui
quadras de vôlei e basquete, dois ginásios, complexo aquático, um autódromo e
até um cine drive-in, está novo em folha. Na realidade, porém, encontra-se
praticamente todo em ruínas. Talvez daí tenha vindo a inspiração do ministro
Rebelo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário