Uma comissão liderada por representantes do governo do Cantão de Friburgo, na Suíça, esteve entre os dias 11 e 15 de outubro
Um ano e dez meses após a tragédia que
causou a morte de 451 pessoas na cidade serrana, o grupo também visitou dois
locais que foram arrasados pelas chuvas e deslizamentos de janeiro de 2011 e
agora estão sendo reconstruídos com a ajuda vinda da Suíça.
Integraram a comissão vinda de Friburgo as
conselheiras de Estado Isabelle Chassot (diretora de Instrução Pública, Cultura
e Esportes) e Anne-Claude Demierre (diretora de Saúde e Assuntos Sociais), além
de Gerald Berger (chefe do Serviço de Cultura), François Mollard (chefe do
Serviço de Ação Social), Robert Bielmann (presidente da Comissão Cantonal da
Loteria Romande) e Raphaël Fessler (presidente da Associação Fribourg-Nova
Friburgo, AFNF).
O grupo visitou a Casa Suíça, centro
cultural que é mantido em
Nova Friburgo desde 1996 com a ajuda do Cantão de Friburgo.
Durante uma sessão de trabalho, foram apresentados aos suíços os novos projetos
culturais, sociais e de pesquisa previstos pela Casa Suíça para o período
2013-2018. Também foi inaugurada uma nova sala da exposição permanente “Suíços
do Brasil”, dotada de sistema multimídia.
Além da ajuda governamental, a Casa Suíça em Nova Friburgo também
recebe, desde 2009, recursos da Loteria Romande para ampliar suas atividades
culturais. Válido por quatro anos, o acordo termina no fim de 2012. Segundo o
informado pelas conselheiras de Estado, na volta à Suíça todas as informações
colhidas no Brasil serão analisadas de forma a permitir que o governo de
Friburgo decida como dar continuidade à parceria.
A comissão vinda da Suíça esteve também em Córrego D ’Antas, local
muito atingido pelas enchentes, onde está sendo reconstruída uma creche com
recursos de CHF 80 mil divididos entre o Cantão de Friburgo e a AFNF. Outro
local visitado pelos suíços na cidade foi a Casa dos Pobres de São Vicente de
Paulo, parcialmente destruída pela tragédia, onde está sendo construído um
galpão com recursos de CHF 40 mil, também divididos entre o Cantão de Friburgo
e a AFNF.
Recursos federais
O governo brasileiro também se empenha para
ajudar Nova Friburgo e as outras seis cidades da Região Serrana do Rio de
Janeiro que foram atingidas pelas chuvas de janeiro do ano passado. Em
setembro, o Ministério das Cidades anunciou o envio para a região de R$ 821
milhões proveniente do Plano Nacional de Gestão de Riscos e Respostas a
Desastres Naturais. Desse total, Nova Friburgo ficará com a maior fatia e
receberá R$ 264 milhões, que serão empregados na construção de uma barragem no
Rio Bengalas e na dragagem do Córrego D’Antas.
Outro alvo dos investimentos federais em Nova Friburgo é a
estrutura de tecnologia da informação, que deverá ser modernizada. No dia
seguinte à tragédia, o vice-governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, esteve na
cidade, mas somente conseguiu falar com o governador Sérgio Cabral e com a
presidente Dilma Rousseff através de um telefone de uma padaria, um dos poucos
que funcionavam em Nova
Friburgo logo após as chuvas e inundações.
A experiência marcou a presidente: “Nunca mais quero ter que conversar com o vice-governador
Obras atrasadas
Apesar dos esforços, as obras de
recuperação de Nova Friburgo e de outras cidades da Região Serrana seguem
inconclusas e atrasadas, quase dois anos após a tragédia. O Instituto Estadual
do Ambiente (Inea), órgão vinculado ao Governo do Rio de Janeiro, admitiu em
setembro ter realizado intervenções em somente quatro dos
Outro problema é a redução dos
investimentos previstos logo após a tragédia. O Inea publicou em 27 de agosto
no Diário Oficial do Estado do Rio um aditivo de contrato determinando a
redução de R$ 42,1 milhões para 7,5 milhões _ o equivalente a 82% _ no montante
que será repassado para as obras no Rio Bengalas.
Após anunciar sete licitações para obras do
Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal na região, em um
total de R$ 540 milhões, o secretário estadual do Ambiente, Carlos Minc,
justificou o atraso no repasse de recursos. Segundo ele, as denúncias de
corrupção e mau uso das primeiras verbas emergenciais enviadas às prefeituras
locais intimidaram a ajuda federal: “Como houve corrupção explícita de alguns
prefeitos da Região Serrana, o que era emergência deixou de ser”, lamentou.
O prefeito de Nova Friburgo, Dermeval
Moreira, é um dos casos citados pelo secretário. Ele está afastado do cargo
desde novembro do ano passado, por determinação do Superior Tribunal de Justiça
(STJ), acusado de desvio e mau uso das verbas estaduais e federais que foram
enviadas à Prefeitura nos dias seguintes à tragédia. A cidade está sendo
governada pelo presidente da Câmara dos Vereadores, Sérgio Xavier. Um novo
prefeito, Rogério

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