Recentemente a justiça obrigou o poder público de Nova Friburgo a realizar obras de prevenção na cidade. Com base em dez ações propostas pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), os Juízos da 1ª e da 3ª Varas Cíveis de Nova Friburgo deferiram dez liminares determinando a realização de obras de minimização do risco geológico em diversas áreas de Nova Friburgo, no prazo de 180 dias, pelo Estado do Rio de Janeiro e pelo Município. A decisão foi veiculada por toda a mídia municipal e estadual doa 27 de julho
A Justiça também determinou que as Secretarias de Obras Estadual (SEOBRAS) e Municipal apresentem ao MPRJ, bimestralmente, os relatórios sobre as ações executadas, sob pena de busca e apreensão judicial.
As obras de contenção, estabilização, drenagem ou demais intervenções necessárias à redução do risco geológico até o grau baixo devem ser atestadas por técnico habilitado ou caso demonstrada sua impossibilidade, deverá ser feito o reassentamento da população afetada para áreas seguras com o pagamento de aluguel social até o efetivo reassentamento.
Mas até agora nada acontecem. A tragédia de 12 de janeiro de 2011, matou 900 pessoas na região Serrana, só em Nova Friburgo foram 451 (número que as autoridades divulgam), irmãos nossos que tiveram suas vidas ceifadas. Famílias inteiras foram dissipadas pela tsuname de água e encostas que desceu.
A verdade é que os mais de 300 deslizamentos somente em Nova Friburgo deixaram 248 áreas de risco que ainda hoje não receberam nenhuma atenção das autoridades constituídas e à medida que se aproxima o final do ano, aumenta o medo, o pavor, o desespero da população, especialmente as ribeirinhas.
Localidades como Riograndina, Alto Floresta, Jardim Califórnia, Duas Pedras, Prainha, Campo do Coelho, Alto do Catete, conselheiro Paulino, não querem nem pensar em chuva, e cada vez que o tempo muda, o céu escurece e ameaça chuva, começa o desespero das pessoas.
E porque tudo isso? Por dois motivos: primeiro porque nada foi feito e tudo aquilo que caiu ou foi abalado pela tragédia continua solto. E depois porque depois de 12 de janeiro de 2011, ainda não choveu forte. Só tivemos até agora, chuvas leves.
A cidade tem duas caixas d ´água que se caírem farão nova tragédia. Uma em Duas Pedras e outra próximo a Varginha. Serão toneladas de água que inundarão bairros além das vitimas que elas farão.
E ainda tem gente dizendo que “ temos que falar de coisas boas”. Como se vai falar de coisas boas se a população continua refém de péssimos administradores, preocupados somente com sua conta bancária ou a eleição de seus candidatos?
Como falar de coisas boas se temos 248 áreas de risco; bueiros todos entupidos, famílias ainda desabrigadas; inúmeras pessoas desaparecidas (apesar do desmentido das autoridades); dezenas de famílias desalojadas?
Diz a Bíblia que o pior cego é aquele que não quer ver. Evidentemente, nós torcemos para que nada aconteça novamente, mas do jeito que a coisa está, a cidade vai desabar na nossa cabeça outra vez.
Deus fez a parte dele e nós temos que fazer a nossa. Não podemos culpar deus pelo que aconteceu. Mas temos obrigação de cobrar, reivindicar, exigir dos vereadores, empresários, candidatos, etc, que eles se mexam, porque se tudo caiu ano passado, foi por culpa de administradores que permitiram o êxodo rural, a invasão de “ estrangeiros” vindos de outras cidades, principalmente a Baixada Fluminense; a invasão de construção em áreas de risco.
Não se pode mais enganar o povo com festinhas, desfiles, shows de artistas, jogos de futebol, missas e cultos e fechar os olhos para uma realidade que somente nós do MANCHETE DA HORA o SBT estamos mostrando há algum tempo.
Não se pode faze ouvido de mercador para os reclamos de um povo que sofre há décadas com enchentes e agora se vê ameaçado por mais uma tragédia climática, especialmente porque a solução para o problema não foi apresentada até agora.
Nenhum candidato até agora apresentou projeto de contenção de encostas, e a propaganda política mostra somente propostas mirabolantes para uma cidade que não é Nova Friburgo que queremos.
Nova Friburgo não precisa de mais um hospital para ficar dois sem funcionar, mas alguém que faça o Hospital Municipal Raul Sertã funcionar.
Nova Friburgo não precisa de um viaduto, pontilhão, ou sei lá o que do bairro Ypu à Edifício Itália, mas alguém que faça o trânsito funcionar. E é simples. É só cortar um pedaço da praça Marcilio Dias (Paissandu) e ligar a Avenida Julius Arp na Avenida Padre Sabóia de Medeiros nos dois sentidos.
Nova Friburgo não precisa de engenhocas, mas de alguém que continue o projeto de Heródoto Bento de Mello, construindo a Estrada do Contorno, tirando o trânsito pesado da cidade.
Nova Friburgo não precisa de Samú, mas de alguém que faça os postos de saúde funcionar como era antes, com atendimento e marcação de consultas por telefone ou via internet.
Nova Friburgo não precisa de cobertura do Rio Bengalas, mas de alguém que mantenha seu leito limpo, com as margens limpas.
Nova Friburgo não precisa de mais loteamentos, mas de alguém que proíba construções irregulares, casas debaixo de encostas, favelas nas beiras de rios e encostas.

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