1 de agosto de 2013

La Suisse dú Brésil

Pedro Toledo

No início do século XIX, especificamente em 1819, Morro Queimado era talvez o mais próximo da Europa que o Brasil possuía em termos de relevo, vegetação e possibilidades ocupacionais. Não demoraria para que, com a necessidade de dilatar a população caucasiana, Dom João VI não somente autorizou mas estimulou a vinda de europeus para o território colonial. Neste momento, na Suíça, já se articulava pelas mãos de  Sébastien-Nicolas Gachet, a vinda de um significativo grupo suíço à colônia portuguesa.

A vinda de 261 famílias suíças excedeu o que havia sido descrito no acordo entre Dom João VI e o governo suíço. No contrato apenas 161 colonos deveriam imigrar para o território tupiniquim. A crise econômica  atingiu fortemente o continente europeu, forçando a imigração para a América. Outro fator para essa diferença no número de imigrantes foi a Doença da Batata, que destruiu milhares de quilômetros de plantações ao longo do território suíço.

Sete navios trouxeram, sem espaço ou higiene, os suíços em direção ao continente desconhecido. Muito se foi especulado sobre o que encontrariam. O fato é que ¼ dos imigrantes sequer chegou ao território brasileiro. As péssimas condições dos navios que atravessaram o oceano atlântico causaram a morte de aproximadamente 500 suíços.

Os sete navios demoraram aproximadamente três meses para alcançar o continente. O primeiro a partir da Suíça foi o Daphnée que, sob o comando do  capitão Keller, embarcou 197 pessoas, e entregou em território 31 a menos. Delby-Elisa registrou 25 mortos, Elisabeth-Marie apresentou 19 mortes e, Urano, foi o recordista, com 107 mortos. Heureux-Voyage, Deux-Catherine e Camillus trouxeram, juntos, 918 pessoas e registraram 129 mortes.  O navio Trajan não deveria ter trazido imigrantes em sua tripulação, pois era um navio bagageiro, entretanto, 6 passageiros foram trazidos por ele.

Apesar do apelo material da viagem, os imigrantes suíços trouxeram muito mais do que suas bagagens. Os desbravadores das novas terras ocupariam a serra chamada hoje, em homenagem ao Cantão de Fribourg ( de onde vieram os suíços imigrantes), Nova Friburgo. No complexo processo de entrada no continente americano, os suíços perderam a cidadania helvética e se tornaram oficialmente súditos da coroa portuguesa.

O processo desenvolvido para estabelecer os suíços na nova terra foi muito difícil, e não bastando isso, a América do Sul sofria com surtos de malária que assolaram os novos habitantes durante sua inserção no território. Com perseverança, os imigrantes começaram a cultivar vegetais de diversos tipos e a manter a produção de queijos, dos quais trouxeram as receitas para o Brasil.

A então Nova Friburgo disparava rumo ao crescimento econômico e já chamava a atenção pelo seu potencial, desenvolvido e explorado primeiramente por suíços, e posteriormente por alemães.

Quase dois séculos após a colonização, os traços culturais e genéticos da Suíça ainda estão latentes nos moradores da cidade de Nova Friburgo, em sua maioria caucasiana de olhos claros. A Suíça foi a matriarca do que se fez hoje um pedaço do país em outro continente. A colonização de povoamento, que pretendia evoluir a cidade além dos interesses de consumo de recursos, é visível na arquitetura, cultura e culinária locais.

No dia primeiro de agosto comemoramos o dia da Suiça no Brasil e é com gratidão que os descendentes do povo suiço, trabalhador e aventureiro, saúdam a história e a cultura que, mesclada com a diversidade brasileira, tornou em uma nova estrutura, o estreito laço helvetico-brasileiro.


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