O casal Alex e
Adriana sempre tive uma apreciação pelo meio ambiente e decidiram aliar a marca
Elas ao conceito sustentável. Daí surgiu o Projeto Ambiental Elas Preservando,
em 2009, reaproveitando as sacolas plásticas que embalavam cada par de bojo
moldado. Esta embalagem, contendo a logomarca do fabricante e tamanho do bojo,
era descartada logo assim que o sutiã entrava no processo de produção. Eles
também passaram a cultivar mudas de abacates e de árvores de espécies da Mata
Atlântica, com o auxílio de Marcos Cunha, um amigo do casal.
Em 2011, não
tendo mais sacolas de bojos de sutiã por conta da migração de moda íntima para
moda bebê, Alex e Adriana passaram a reaproveitar os cones de linhas de costura
industrial. "Nossa meta no projeto sempre foi reaproveitar o nosso próprio
lixo têxtil para cultivar mudas de árvores da mata atlântica", comenta
Adriana. Os dois também passaram a receber estes carreteis de linhas de outras
fábricas do setor localizadas em Nova Friburgo. "Passamos por inúmeras
dificuldades para manter o projeto, pois somos uma empresa ainda bem pequena,
com poucos recursos para investir e sem incentivo financeiro de nenhuma
parte", explica Alex.
A confecção
Elas reaproveita ainda o próprio retalho de algodão para tapar o orifício
interno do cone de linha vazio. Com isso, a terra não é derramada e o retalho
de algodão age como um filtro deixando passar o excesso de água e retendo a
terra com a muda. Vale frisar que as mudas são retiradas dos carreteis antes de
irem para o solo e o tecido de algodão é facilmente decomposto pela natureza.
O Projeto
Ambiental Elas Preservando vem conquistando parcerias, como o Instituto
Brasileiro de Florestas; o campus local da Universidade Estácio de Sá; Horto
Terra Viva; Jornal A Voz da Serra; Sítio Terra Romã; Prefeitura de Nova
Friburgo e Rotary Olaria. Além das árvores, o projeto realiza alguns testes com
sementes de flores da marca Feltrin, já que Alex e Adriana tem por objetivo
usar as flores da iniciativa para embelezar as praças e áreas públicas da
cidade.
Percebendo que
poderiam ir mais longe com o Projeto Ambiental Elas Preservando, ou seja,
expandi-lo para fora dos muros da empresa, eles passaram a instalar pequenos
viveiros de mudas dentro de escolas, incentivando alunos e professores à
educação ambiental de forma prática. Os alunos são responsáveis por cuidar das
mudas até que elas atinjam a fase ideal de irem para os locais de
reflorestamento e de introdução de novas árvores dentro do município.
"Deste modo, fazemos com que haja uma interação entre a criança e a
natureza, despertando nela o interesse pela preservação do meio ambiente.
Acreditamos que este trabalho com as crianças é importante porque elas sendo
educadas agora não cortarão estas árvores no futuro e, deste modo, estamos
colaborando com a formação de agentes de defesa do meio ambiente",
esclarece Adriana.
Os
"berçários das árvores", como são apelidados os viveiros de mudas,
são levados para dentro das escolas e o casal fornece, além de todo o material,
um manual de como se trabalhar o projeto dentro da escola. Atualmente, estão
participação seis escolas, entre particulares, municipais e estaduais,
atendendo cerca de três mil dos 6 aos 14 anos. Em breve, mais duas escolas se
juntarão ao programa. "Não nos prendemos à quantidade de árvores que
devemos plantar para neutralizar o carbono. Fazemos o que podemos e ainda com
bastante dificuldade. Nosso interesse é colaborar com a conscientização
ambiental tanto dos jovens de Nova Friburgo como também do empresariado local e
nos tornarmos um referencial no Brasil como confecção responsável", diz
Adriana Santos.
O símbolo do
Projeto Elas Preservando é um beija-flor com uma gota no bico. O pássaro foi
escolhido pela história que ele ajuda a combater as chamas de uma queimada em
uma floresta usando o seu próprio bico para buscar água de um rio e arremessar
no fogo. Embora não tivesse chances de apagar a queimada, o beija-flor fazia a
sua parte. Assim também é o sentimento de Alex e Adriana com o projeto.
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