Celina Côrtes
A trabalhadora rural
Indiara Borges de Maria Diniz, 32 anos, três filhos, deu uma guinada em sua
vida. Ela estudou até a quarta série e estava conformada em não poder procurar
um emprego melhor, até que apareceu em sua casa, nao Quizanga, zona rural de
Cachoeiras de Macacu, uma equipe do Viva Rio Socioambiental. Quando soube da
possibilidade de voltar aos estudos não pensou duas vezes e se matriculou no
curso de aceleração escolar na escola Municipal Colônia Agrícola Knust, em
Serra Queimada. “Estou amando, nunca tive uma oportunidade como essa. Minha
filha, de 12 anos, está na mesma série que eu e muitas vezes estudamos as
mesmas coisas”, diverte-se. Agora, o próximo passo de Indiara é procurar um
emprego de secretária quando terminar o curso, a partir de dezembro.
O que acontece com Indiara é resultado da parceria iniciada este
ano, pela qual o Viva Rio – que entra com metodologia, material pedagógico e
pagamento de professores, com recursos provenientes da compensação ambiental da
Petrobras pela instalação do Centro Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) -,
enquanto a secretaria oferece espaço físico, mobiliário, transporte dos alunos,
merenda e equipe de apoio. Não há dinheiro envolvido. A tecnologia de ensino
adotada é o Telecurso 2000 e o Viva Rio já formou mais de 100 mil jovens desde
o ano 2000.
Agora, a novidade é que além das três turmas de 2º segmento de
aceleração escolar (do sexto ao nono ano), com 90 alunos – nas escolas
municipais Knust, Funchal e Ernestina Ferreira Campos -, também será oferecida
uma turma do primeiro segmento (do primeiro ao quinto ano), provavelmente até o
fim do mês, na Knust. Ambas recebem alunos a partir de 15 anos. O aluno de
aceleração do 1º segmento conclui em 11 meses os cinco anos que levaria para se
formar, mesmo tempo gasto pelos alunos do 2º segmento, com quatro anos de
duração.
Quem comemora a parceria é o secretário municipal de Educação,
Osório Luís Figueiredo. Segundo explicou, serão atingidos 105 alunos, que
representarão uma significativa economia para o município e proporcionarão mais
recursos provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento de Educação
Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) . “Se não fosse
a ação do Viva Rio ir a campo buscá-los, estes alunos estariam sem estudar”,
constata. “A parceria dá tão certo que a supervisão é feita por profissionais
da secretaria, Suellen Samagaio, e do Viva Rio, Pedro Jorge Muniz Barreto”,
comenta Glaucia Viana, coordenadora de Desenvolvimento Socioambiental do Viva
Rio.
“Nos cursos de aceleração, usamos uma metodologia aprovada que
permite ao aluno não apenas recuperar o tempo perdido, como ganhar fôlego para
ter perspectivas futuras e qualidade de vida”, completa Glaucia. “O dinheiro da
compensação ambiental da Petrobras poderia ser empregado em muitos outros
projetos sociais, mas o Viva Rio escolheu a educação para o povo,
principalmente a população das zonas rurais, que de fato precisa”, acrescenta
Márcia Rolemberg, coordenadora de Comunicação e Educação Ambiental do Viva Rio.
Multimídia, radiojornalismo e educação ambiental
Além da aceleração escolar, desde fevereiro a Knust também
oferece um o curso Ambiente Multimídia, para 30 alunos da comunidade. Tem gente
de 8 anos a 60 anos. “O pessoal está muito receptivo, gostando bastante”,
festeja o assessor técnico social, Fernando Aglio, do Viva Rio, que dá aulas de educação
socioambiental. Outros 15 alunos estão aprendendo técnicas e linguagens de
radiojornalismo, com o curso Ambiente Rádio, no Colégio Estadual São José, onde
começará o curso de Multimídia a partir do fim do mês.
Já a Escola Municipal Funchal vai oferecer radiojornalismo a
partir do fim do mês abril. E na manhã de 31 de maio haverá um evento cultural,
também no CE São José, quando os alunos vão fazer a cobertura do evento para
depois veicular na Rádio Comunitária Desperta FM, além de apresentar os resultados de seus
cursos, com produção de spots para rádio, vídeos e fotos.
Quem teve a oportunidade de experimentar tanto a aceleração
escolar quanto o curso de multimídia é a trabalhadora rural Elizangela Arcanjo,
34 anos, que parou de estudar aos 12 anos. Moradora de Serra Queimada, em
Cachoeiras de Macacu, divorciada, um filho de 14 anos e uma menina de 7 anos,
ela concluiu o primeiro segmento e tem bastante dificuldade em conseguir um
emprego melhor. Nem por isso desistiu de correr atrás. Está feliz em voltar aos
estudos e já sonha mais alto: “Minha vontade é ser secretária”, planeja, como
Indiara, enfrentando as dificuldades por ter passado tanto tempo longe do
ensino e aproveitando para aprender também a fazer fotografias e vídeos.
Outras escolas municipais, ainda sendo definidas pela Secretaria
Municipal de Educação, serão
contempladas a partir do segundo semestre com os cursos Ambiente Rádio e
Ambiente Multimídia. Os produtos para rádio feitos pelos alunos de ensino
fundamental e médio serão veiculados na Rádio Desperta FM, em Cachoeiras de
Macacu. Este trabalho é resultado da parceria entre o CE São José (Secretaria de Estado de Educação), a
Secretaria Municipal de Educação e a Rádio Comunitária Desperta FM.
Escola Municipal Colônia Agrícola Knust,
A trabalhadora rural Indiara Borges de Maria Diniz
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