4 de abril de 2014

Parcerias do Viva Rio multiplicam oferta de cursos

Celina Côrtes

 A trabalhadora rural Indiara Borges de Maria Diniz, 32 anos, três filhos, deu uma guinada em sua vida. Ela estudou até a quarta série e estava conformada em não poder procurar um emprego melhor, até que apareceu em sua casa, nao Quizanga, zona rural de Cachoeiras de Macacu, uma equipe do Viva Rio Socioambiental. Quando soube da possibilidade de voltar aos estudos não pensou duas vezes e se matriculou no curso de aceleração escolar na escola Municipal Colônia Agrícola Knust, em Serra Queimada. “Estou amando, nunca tive uma oportunidade como essa. Minha filha, de 12 anos, está na mesma série que eu e muitas vezes estudamos as mesmas coisas”, diverte-se. Agora, o próximo passo de Indiara é procurar um emprego de secretária quando terminar o curso, a partir de dezembro.

O que acontece com Indiara é resultado da parceria iniciada este ano, pela qual o Viva Rio – que entra com metodologia, material pedagógico e pagamento de professores, com recursos provenientes da compensação ambiental da Petrobras pela instalação do Centro Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) -, enquanto a secretaria oferece espaço físico, mobiliário, transporte dos alunos, merenda e equipe de apoio. Não há dinheiro envolvido. A tecnologia de ensino adotada é o Telecurso 2000 e o Viva Rio já formou mais de 100 mil jovens desde o ano 2000.

Agora, a novidade é que além das três turmas de 2º segmento de aceleração escolar (do sexto ao nono ano), com 90 alunos – nas escolas municipais Knust, Funchal e Ernestina Ferreira Campos -, também será oferecida uma turma do primeiro segmento (do primeiro ao quinto ano), provavelmente até o fim do mês, na Knust. Ambas recebem alunos a partir de 15 anos. O aluno de aceleração do 1º segmento conclui em 11 meses os cinco anos que levaria para se formar, mesmo tempo gasto pelos alunos do 2º segmento, com quatro anos de duração.

Quem comemora a parceria é o secretário municipal de Educação, Osório Luís Figueiredo. Segundo explicou, serão atingidos 105 alunos, que representarão uma significativa economia para o município e proporcionarão mais recursos provenientes do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento de Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) . “Se não fosse a ação do Viva Rio ir a campo buscá-los, estes alunos estariam sem estudar”, constata. “A parceria dá tão certo que a supervisão é feita por profissionais da secretaria, Suellen Samagaio, e do Viva Rio, Pedro Jorge Muniz Barreto”, comenta Glaucia Viana, coordenadora de Desenvolvimento Socioambiental do Viva Rio.
“Nos cursos de aceleração, usamos uma metodologia aprovada que permite ao aluno não apenas recuperar o tempo perdido, como ganhar fôlego para ter perspectivas futuras e qualidade de vida”, completa Glaucia. “O dinheiro da compensação ambiental da Petrobras poderia ser empregado em muitos outros projetos sociais, mas o Viva Rio escolheu a educação para o povo, principalmente a população das zonas rurais, que de fato precisa”, acrescenta Márcia Rolemberg, coordenadora de Comunicação e Educação Ambiental do Viva Rio.

Multimídia, radiojornalismo e educação ambiental
Além da aceleração escolar, desde fevereiro a Knust também oferece um o curso Ambiente Multimídia, para 30 alunos da comunidade. Tem gente de 8 anos a 60 anos. “O pessoal está muito receptivo, gostando bastante”, festeja o assessor técnico social, Fernando Aglio,  do Viva Rio, que dá aulas de educação socioambiental. Outros 15 alunos estão aprendendo técnicas e linguagens de radiojornalismo, com o curso Ambiente Rádio, no Colégio Estadual São José, onde começará o curso de Multimídia a partir do fim do mês.

Já a Escola Municipal Funchal vai oferecer radiojornalismo a partir do fim do mês abril. E na manhã de 31 de maio haverá um evento cultural, também no CE São José, quando os alunos vão fazer a cobertura do evento para depois veicular na Rádio Comunitária Desperta FM,  além de apresentar os resultados de seus cursos, com produção de spots para rádio, vídeos e fotos. 

Quem teve a oportunidade de experimentar tanto a aceleração escolar quanto o curso de multimídia é a trabalhadora rural Elizangela Arcanjo, 34 anos, que parou de estudar aos 12 anos. Moradora de Serra Queimada, em Cachoeiras de Macacu, divorciada, um filho de 14 anos e uma menina de 7 anos, ela concluiu o primeiro segmento e tem bastante dificuldade em conseguir um emprego melhor. Nem por isso desistiu de correr atrás. Está feliz em voltar aos estudos e já sonha mais alto: “Minha vontade é ser secretária”, planeja, como Indiara, enfrentando as dificuldades por ter passado tanto tempo longe do ensino e aproveitando para aprender também a fazer fotografias e vídeos.


Outras escolas municipais, ainda sendo definidas pela Secretaria Municipal de Educação,  serão contempladas a partir do segundo semestre com os cursos Ambiente Rádio e Ambiente Multimídia. Os produtos para rádio feitos pelos alunos de ensino fundamental e médio serão veiculados na Rádio Desperta FM, em Cachoeiras de Macacu. Este trabalho é resultado da parceria entre o CE São José  (Secretaria de Estado de Educação), a Secretaria Municipal de Educação e a Rádio Comunitária Desperta FM.
                                              Escola Municipal Colônia Agrícola Knust,

                                     A trabalhadora rural Indiara Borges de Maria Diniz

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